Coordenador de Flávio se reúne com Fachin e diz que ‘não haverá vingança nem omissão’ em relação ao STF
Rogério Marinho criticou atuação de ministros do Supremo durante o processo eleitoral e afirmou que Senado deverá agir diante de eventuais crimes de responsabilidade; declarações foram dadas após encontro nesta terça-feira (6)

Rogério Marinho criticou atuação de ministros do Supremo durante o processo eleitoral e afirmou que Senado deverá agir diante de eventuais crimes de responsabilidade; declarações foram dadas após encontro nesta terça-feira (6)
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirmou nesta terça-feira (6) que não haverá uma postura de “vingança” contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo do candidato, mas disse que o Senado também não deverá se omitir diante de eventuais crimes de responsabilidade.
A declaração foi dada após uma reunião com o presidente do STF, Edson Fachin, na sede da Corte, em Brasília.
“Não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão”,
paulo marinho
Segundo o senador, o encontro serviu para apresentar preocupações da campanha sobre a atuação do Judiciário durante o processo eleitoral. Marinho classificou como “intervenção continuada” decisões de integrantes do Supremo relacionadas à Justiça Eleitoral. A avaliação é do senador e não uma constatação institucional sobre a atuação da Corte.
Marinho cita Moraes, Dino e Gilmar Mendes
Durante a entrevista após o encontro, o coordenador da campanha citou nominalmente os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
Marinho acusou integrantes do Judiciário de atuação com “viés político” e afirmou que pretende buscar uma normalização da relação entre os Poderes.
O senador disse ainda que não descarta conversar diretamente com Moraes e Dino, mas pretende esperar o encerramento do processo eleitoral para procurar os ministros.
Impeachment de ministros entrou na conversa
Questionado por jornalistas, Marinho confirmou que a possibilidade de processos de impeachment contra ministros do Supremo também foi discutida durante a reunião.
Segundo ele, caso seja identificado eventual crime de responsabilidade cometido por um ministro, caberá ao Senado analisar a situação. Marinho também criticou a atual condução desse tipo de pedido pela Casa.
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF nos casos de crimes de responsabilidade.
Por que essa conversa acontece agora?
O encontro ocorre dois dias depois do primeiro turno das eleições de 2026 e em meio à disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O resultado das urnas também ampliou a representação do PL no Congresso. O partido elegeu parlamentares que defendem a abertura de processos de impeachment contra integrantes do Supremo, colocando a relação entre Senado e STF novamente no centro do debate político.
Marinho havia solicitado a audiência com Fachin antes da votação e afirmou que esperava pelo encontro havia mais de um mês.
Fachin também recebeu representante do governo Lula
A movimentação no Supremo não ficou restrita à campanha de Flávio Bolsonaro.
Nesta terça, Fachin também recebeu a senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo Lula no Senado. Segundo a assessoria do presidente do STF, o encontro com a parlamentar trataria da relação institucional entre os Poderes.
As reuniões acontecem em um momento no qual o papel do Supremo e sua relação com o Executivo e o Congresso ganharam espaço na campanha do segundo turno.
A votação que decidirá a Presidência da República está marcada para 25 de outubro.



