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Fardados e em viatura oficial: como policiais do Bope foram confundidos com criminosos e alvo de tiros no Rio

Confronto entre equipes de dois batalhões da PM matou um subtenente e deixou outros agentes feridos na Zona Oeste; corporação aponta falta de iluminação, mas família questiona se houve falha na comunicação entre os policiais

RJ
RedaçãoJornalismo Independente RJ Hoje
13 de outubro de 2026 às 11:53
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Fardados e em viatura oficial: como policiais do Bope foram confundidos com criminosos e alvo de tiros no Rio
Foto: Foto: Divulgação / RJ Hoje

Confronto entre equipes de dois batalhões da PM matou um subtenente e deixou outros agentes feridos na Zona Oeste; corporação aponta falta de iluminação, mas família questiona se houve falha na comunicação entre os policiais

Uma equipe do Bope estava fardada, utilizava uma viatura oficial da Polícia Militar e realizava uma abordagem quando foi confundida com criminosos por agentes de outro batalhão. O encontro terminou em uma troca de tiros que matou um policial e deixou outros feridos na madrugada de domingo (11), na Freguesia, Zona Oeste do Rio.

A vítima foi o subtenente Glaucio Marcelo da Silva, de 54 anos, que dedicou grande parte de seus quase 26 anos de carreira ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

Segundo a própria Polícia Militar, agentes do Batalhão de Jacarepaguá confundiram os integrantes do Bope com criminosos e dispararam contra eles.

A corporação atribui a confusão à baixa luminosidade da região. No entanto, o episódio levanta uma questão que ainda não foi esclarecida: como policiais da mesma instituição, mesmo uniformizados e utilizando uma viatura identificada, não conseguiram reconhecer uns aos outros?

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

O que aconteceu naquela madrugada?

O confronto ocorreu na Rua Guilherme Moreira, conhecida como Beco do Saci, um dos acessos à comunidade da Gardênia Azul.

De acordo com a Polícia Militar, uma equipe do Bope realizava a abordagem ao motorista de um carro quando policiais do Batalhão de Jacarepaguá chegaram ao local.

Os agentes do Bope estavam uniformizados e utilizavam uma viatura caracterizada da corporação.

Mesmo assim, segundo a versão apresentada pela PM, foram confundidos com criminosos pelos policiais que chegaram à região.

O encontro terminou em uma troca de tiros entre as duas equipes.

O subtenente Glaucio Marcelo foi atingido e morreu. Outros policiais ficaram feridos.

Moradores relatam cerca de 20 minutos de tiros

O confronto provocou momentos de medo entre moradores da região.

Uma câmera de segurança instalada em um condomínio próximo registrou o som dos disparos.

Um morador que vive no bairro há 43 anos relatou à TV Globo que o tiroteio durou aproximadamente 20 minutos.

Segundo ele, a intensidade dos tiros fez com que precisasse sair do quarto e procurar abrigo no corredor da residência, onde havia mais paredes que poderiam oferecer proteção.

O morador afirmou nunca ter presenciado um confronto daquela proporção na região.

Falta de iluminação explica a confusão?

A Polícia Militar informou que a baixa luminosidade contribuiu para que os agentes de Jacarepaguá confundissem os policiais do Bope com criminosos.

Moradores confirmaram que o trecho onde ocorreu o confronto é pouco iluminado.

A explicação, porém, ainda não esclarece todas as circunstâncias do episódio.

Os policiais do Bope estavam fardados e em uma viatura oficial, o que levanta dúvidas sobre as condições de identificação das equipes e os procedimentos adotados antes dos disparos.

Outro ponto central é saber se os batalhões tinham conhecimento da presença uns dos outros na região.

Família questiona comunicação entre os batalhões

Familiares do subtenente Glaucio querem entender se houve falha na comunicação entre as equipes envolvidas.

Segundo a ex-mulher do policial, a família recebeu inicialmente a informação de que a presença do Bope na região não havia sido comunicada.

Posteriormente, no entanto, os familiares souberam que um aviso teria sido realizado.

A dúvida agora é se essa informação chegou efetivamente aos policiais que participaram da ocorrência.

A família também questiona se todos os agentes envolvidos tinham conhecimento da operação realizada pelo Bope e quais procedimentos foram adotados antes do início dos disparos.

Até o momento, não há uma conclusão oficial sobre eventual falha de comunicação entre os batalhões.

Câmeras corporais podem esclarecer o confronto

A Delegacia de Homicídios da Capital investiga as circunstâncias da morte do subtenente.

Equipes da Polícia Civil realizaram uma perícia no local e recolheram cápsulas de munição encontradas no chão e em veículos da Polícia Militar.

Os policiais envolvidos na ocorrência também foram ouvidos.

As imagens das câmeras corporais dos agentes serão analisadas para ajudar a reconstruir a sequência dos acontecimentos.

A investigação deverá esclarecer quem efetuou os disparos, como começou o confronto e se houve falhas nos procedimentos de identificação e comunicação entre as equipes.

Quem era o subtenente Glaucio Marcelo?

Glaucio Marcelo da Silva tinha 54 anos, era pai de três filhos e completaria 26 anos de carreira na Polícia Militar em dezembro.

A maior parte de sua trajetória profissional foi dedicada ao Bope, unidade com a qual mantinha uma forte ligação, segundo familiares.

O policial foi enterrado na segunda-feira (12), em uma cerimônia acompanhada por centenas de integrantes da corporação.

A morte também representa a segunda perda de um policial militar na mesma família em menos de um ano.

Em outubro de 2025, um irmão de Glaucio, que também integrava a PM, morreu durante a Operação Contenção, realizada na Penha, Zona Norte do Rio.

A operação terminou com 122 mortos, segundo os números divulgados na época.

Outros policiais continuam internados

Além do subtenente morto, outros agentes foram atingidos durante o confronto.

Dois policiais feridos receberam alta hospitalar e participaram do enterro de Glaucio, ainda com curativos nas mãos e nas pernas.

Segundo as informações divulgadas na segunda-feira (12), outros três policiais permaneciam internados no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.

Não foram divulgadas atualizações sobre o estado de saúde desses agentes.

O que ainda precisa ser esclarecido?

A investigação deverá responder a três questões centrais: se a presença do Bope foi comunicada previamente ao Batalhão de Jacarepaguá, por que os policiais não conseguiram identificar a equipe uniformizada e quais circunstâncias levaram ao início dos disparos.

As imagens das câmeras corporais, os depoimentos dos envolvidos e os resultados da perícia serão fundamentais para esclarecer a dinâmica do confronto.

Até que a investigação seja concluída, a baixa luminosidade permanece como a explicação apresentada pela Polícia Militar, mas ainda não há uma conclusão definitiva sobre as causas do episódio.

RJ Hoje | Segurança Pública — Zona Oeste do Rio

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